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Projeto Central de Pesquisa

Chapada Diamantina, no estado da Bahia, uma das regiões de maior ímportância biótica da Caatinga.

 

O PROJETO

O projeto de pesquisa central, ou 'guarda-chuva', que integra os pesquisadores da Rede Baiana de Pesquisa sobre Anfíbios (RBPA) é denominado "Padrões e Processos da Diversidade de Anfíbios na Bahia: Influência das mudanças climáticas e propostas de conservação", doravante tratado como PPDA. Este projeto possui apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia - SEMA (Pedido Nº 5154/2014, Termo de Outorga Nº PAM0005/2014, assinado em 23/12/2014, vigência 24 meses). A instituição executora do projeto junto à FAPESB (outorgante) é a Universidade Federal da Bahia e o outorgado o Professor Marcelo Felgueiras Napoli.

O Núcleo Central de Pesquisa (NCP) está constituído pelos seguintes pesquisadores: Prof. Marcelo Felgueiras Napoli (Coordenador do Projeto/UFBA), Profa. Flora Acuña Juncá (Coordenador do Subprojeto 2/UEFS) e Prof. Mirco Solé (Coordenador do Subprojeto 3/UESC).

O PPDA foi subdividido durante sua idealização em três subprojetos que, uma vez combinados, fornecerão subsídios para a indicação de áreas prioritárias para conservação dos anfíbios ocorrentes na Bahia e seu consequente monitoramento a longo prazo. Estes subprojetos estão abaixo sumarizados nesta página.

Objetivo Principais:

i. Definir áreas prioritárias para conservação dos anfíbios no estado da Bahia;
ii. Estimar os efeitos das mudanças climáticas sobre estes organismos e os possíveis efeitos sinérgicos na presença de agrotóxicos ou fertilizantes;
iii. Concentrar esforços na execução de inventários de anfíbios no estado da Bahia para aumentar o conhecimento ainda incipiente sobre as espécies do estado, possibilitando a amostragem de áreas geográficas ainda não amostradas ou deficientemente amostradas, identificação de ocorrências novas de espécies no estado e, quando existentes, da descrição de novas espécies para a ciência.

Objetivos Específicos:

i. Atualizar a lista de anfíbios do estado da Bahia, incluindo dados sobre suas distribuições geográficas;
ii. Identificar 'unidades biogeográficas naturais' no estado da Bahia por meio da identificação de áreas de endemismo e/ou de elementos bióticos (=grupos de espécies de anfíbios com distribuição geográfica sobreposta não-aleatória);
iii. Testar a hipótese de que a diversificação das espécies no estado da Bahia é resultado da fragmentação da biota ancestral em decorrência de barreiras emergentes;
iv. Determinar se as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade brasileira definidas pelo MMA coincidem com as áreas prioritárias para conservação dos anfíbios no estado da Bahia;
v. Descrever canto e girino das espécies de anfíbios do estado, além de realizar análises genéticas que auxiliem na identificação de espécies novas para a ciência utilizando ferramentas de taxonomia integrativa;
vi. Elaborar uma chave de identificação dos girinos das espécies de anfíbios;
vii. Testar como as mudanças climáticas irão influenciar as espécies de anfíbios;
viii. Estudar possíveis efeitos sinérgicos entre a presença de diferentes concentrações de agrotóxicos e fertilizantes e as mudanças climáticas sobre os anfíbios.

Mecanismos de Transferência de Resultados:

i. Os resultados e produtos gerados durante o projeto serão repassados periodicamente para a SEMA que desta forma poderá atualizar a lista de anfíbios do Estado da Bahia;
ii. Será elaborado um guia (livro) de girinos que poderá ser utilizado em estudos de Impacto Ambiental e será enviado para as secretarias de méio ambiente das maiores cidades da Bahia;
ii. Um dos resultados do subprojeto 1, a definição de áreas prioritárias para conservação dos anfíbios do Estado da Bahia, será repassado para a SEMA/BA que poderá cruzar estes dados com os resultados obtidos nas oficinas do Planeamento Sistemático de Conservação, refinando os resultados obtidos e melhor subsidiando as decisões dos tomadores de decisão;
iv. Será elaborado o website da Rede Baiana de Pesquisa sobre Anfíbios (RBPA), de livre acesso e com os resultados do projeto, além de outras informações referentes aos membros do GP e de suas atividades.

Relevância do Projeto:

Todas as informações obtidas durante o desenvolvimento do projeto permitirão (1) a proposição de medidas concretas visando à definição de áreas prioritárias para conservação, (2) uso sustentável dos recursos naturais, (3) possibilidade de minimização de impactos negativos decorrentes da grande exploração antrópica no Estado da Bahia, (4) instrumento de apoio à tomada de decisão no processo de gestão ambiental (nas atividades de ordenamento e licenciamento, fiscalização e monitoramento ambiental) e (5) no fortalecimento da Política Estadual de Administração dos Recursos Naturais Ambientais. Outros aspectos destacáveis são (6) a possibilidade de acesso imediato ao conhecimento biológico para a resolução de problemas ambientais e (7) subsídios para análise e monitoramento, em longo prazo, de mudanças ambientais. Finalmente, destaca-se a (8) integração entre grupos de pesquisadores das instituições partícipes (UFBA Salvador, UFBA Vitória da Conquista, UEFS, UESC, UESB Jequié, UESB Vitória da Conquista, IF Baiano, UNIVASF), parcerias estas fundamentais para elaborações de planos de trabalhos futuros no conhecimento da biodiversidade do estado da Bahia, manejo e conservação de áreas prioritárias.

Estudos desta natureza seguem as diretrizes previstas na Política Nacional da Biodiversidade (Decreto No. 4.339, de 22.08.02) e contribuem para a implementação dos seus componentes: (1) conhecimento da biodiversidade, (2) conservação da biodiversidade, (3) utilização sustentável dos componentes da biodiversidade, (4) monitoramento, avaliação, prevenção e mitigação de impactos sobre a biodiversidade e (5) educação, sensibilização pública, informação e divulgação sobre biodiversidade. A implementação dos objetivos propostos neste projeto está de acordo com o art. 12 Pesquisa e Treinamento, da Convenção sobre Diversidade Biológica CDB, assinada em junho de 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro, da qual o Brasil é signatário, que determina na alínea b que as partes contratantes, levando em conta as necessidades especiais dos países em desenvolvimento, devem promover e estimular pesquisas que contribuam para a conservação e utilização sustentável da diversidade biológica, especialmente nos países em desenvolvimento, conforme, entre outras, as decisões da Conferência das Partes tomadas em consequência das recomendações do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (Decreto Legislativo n. 2, de 03.02.94, aprova o texto da Convenção sobre Diversidade Biológica).

Produtos Esperados:

Como principais produtos deste projeto esperados, elencamos:

1. Catálogo e chave de identificação de girinos;
2. CD com vocalizações das espécies de anuros;
3. Banco de dados sobre as espécies de anuros e sua distribuição no Estado da Bahia;
4. Ferramentas de apoio à decisão pelos gestores ambientais, através dos resultados do sub-projeto 1 que inclui a definição das áreas prioritárias para conservação dos anfíbios no Estado da Bahia;
5. Lista comentada das espécies da Bahia, incluindo um diagnóstico da distribuição geográfica das espécies de anfíbios nos diferentes biomas do Estado;
6. Publicação de artigos pertinentes aos temas acima levantados em revistas científicas de impacto;
7. Formação de mão de obra qualificada, através de iniciação científica, monografias, dissertações e teses.

Impacto Científico. Anfíbios sempre foram considerados bioindicadores, entretanto poucos estudos se debruçaram de fato para utilizar este táxon como bioindicadores. A Rede Baiana de Pesquisa sobre Anfíbios iniciará suas atividades com este enfoque, pois utilizará o táxon indicador para áreas de conservação e também para estabelecer parâmetros para projeções sobre os efeitos das mudanças climáticas. Ainda, formará um banco de dados consistentes, incluindo adultos, larvas e registros sonoros. Esta iniciativa em rede é inédita no Brasil e certamente de relevância internacional, frente a produção relevante que se espera como produtos.

Impacto Tecnológico. As pesquisas sobre tolerância térmica em anfíbios são ainda incipientes no Brasil. Porém os dados de espécies tropicais são fundamentais para entender a vulnerabilidade destes organismos ao aquecimento global. Para a determinação experimental destas tolerâncias é preciso utilizar equipamentos que aqueçam gradualmente a água. Por enquanto, não existe nenhum equipamento específico para anfíbios tropicais, mas o mesmo pode ser desenvolvido durante o projeto. Vale ressaltar que pesquisas similares realizadas na Estação Biológica de Doñana na Espanha, levaram ao depósito de uma patente, porém o equipamento patenteado na Espanha não é apropriado para ser utilizado sob condições tropicais. Pretendemos desenvolver um protocolo experimental de medição de CTMax e CTMin perfeitamente adaptado a espécies tropicais. Este protocolo poderá ser utilizado para espécies de vertebrados e também invertebrados aquáticos de quase todo o Brasil e permitirá uma melhor comparação dos dados levantados, pois eliminará o viés produzido pelo uso de equipamentos diferentes e taxas de aquecimento variadas.

Impacto Econômico. O nosso projeto pode trazer melhoras econômicas em diversos campos. O ecoturismo é um campo que vem aumentando no Brasil, e este projeto pode subsidiar o crescimento do turismo ecológico no Estado da Bahia.Algumas RPPNs do já fazem parte do roteiro dos birdwatcher que visitam a América do Sul, entretanto o turismo herpetológico ainda é incipiente no estado. Esta atividade encontra-se bem estabelecida em países como a Índia (observação de gaviais), Costa Rica (observação de anfíbios do gênero Callydrias e de serpentes como a surucucú pico de jaca (Lachesis muta) e tartarugas marinhas (diversos locais, dentre eles o Projeto Tamar na Praia do Forte). Para atrair este tipo de turismo é fundamental termos conhecimento da diversidade de anfíbios da região, pois tudo indica que regiões do Sul da Bahia estão entre as mais ricas em anfíbios do mundo, incluindo nesse espectro o menor anfíbio da região Neotropical. O aumento do turismo ecológico pode repercutir positivamente no funcionamento das RPPNs, nas quais os mantenedores vão precisar contratar mais pessoal para realização de serviços de hotelaria e gastronomia. O conhecimento sobre a biodiversidade também pode repercutir positivamente na atração de empresas do setor industrial, pois uma vez mapeado o estado e se conhecendo os locais prioritários de conservação fica mais fácil e menos custosa a elaboração de Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), pois os mesmos somente precisam verificar a existência das espécies já previamente documentadas na região e podem dedicar mais esforços em programas de mitigação dos efeitos e monitoramento (condicionantes). Neste caso os dados gerados no nosso projeto também poderão ser utilizados para definir áreas de compensação ambiental.

Impacto Social. Pretendemos definir áreas prioritárias de conservação de anfíbios para o estado da Bahia. Caso estas áreas venham a ser protegidas como parte do SNUC, as mesmas, após elaboração de um plano de manejo, poderão ser abertas para visitação, acrescentando uma nova atividade de lazer (turismo ecológico) a sociedade baiana. Estas Unidades de Conservação podem contribuir positivamente na formação de uma sociedade mais preocupada com o meio ambiente, com a sustentabilidade dos recursos naturais e com a conservação da Biodiversidade. Além disso, proprietários de terra das áreas prioritárias podem usar as informações geradas durante o projeto para a conversão parcial das mesmas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural. O gerenciamento destas áreas pode levar ao surgimento de novos empregos como guia de meio ambiente, guarda florestal e administrador de RPPN.

Impacto Ambiental. Este projeto trará impacto ambiental relevante, pois um dos produtos mais importantes é a indicação de áreas prioritárias para conservação de anfíbios. Nestes termos, áreas indicadas que venham a ser incluídas para formação de Unidades de Proteção Integral, preservarão toda biota associada. O reconhecimento da tolerância térmica dos anfíbios indicará as áreas de maior risco as mudanças climáticas, visto que está tolerância térmica é decorrente de adaptações ao ambiente que evoluíram também e concomitantemente nas demais espécies ectotérmicas. O estudo dos efeitos sinérgicos permitirá avaliar se espécies em áreas com aplicação de agrotóxicos ou fertilzantes estão mais susceptíveis aos efeitos das mudanças climáticas.

Subprojeto 1: Vicariância, endemismos e conservação dos anfíbios do Estado da Bahia

Constitui o tema-alvo do projeto central e objetiva identificar áreas prioritárias para conservação dos anfíbios no estado. Três estimativas serão utilizadas neste estudo: determinação de áreas de endemismo e/ou elementos bióticos, áreas de alta riqueza de espécies e áreas com espécies ameaçadas, raras ou de distribuição restrita. Uma das etapas necessárias será a compreensão dos padrões biogeográficos atuais dos anfíbios na Bahia. Iremos buscar esta compreensão através da determinação de unidades biogeográficas naturais, como áreas de endemismo e/ou de elementos bióticos (Casazza & Minuto, 2009). Estas unidades incluem biotas únicas, resultantes de tipos diversos de isolamento e constituem a base para postular hipóteses sobre processos que levaram a suas origens (Silva, 2008), além de serem intrinsecamente suscetíveis a ameaças (Nogueira et al., 2011).
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Subprojeto 2: Taxonomia integrativa de anfíbios como subsídio para conservação

Ieste subprojeto iclui Taxonomia e Faunística e objetiva suprir o primeiro subprojeto de dados em qualidade e quantidade adequadas sobre a identidade e distribuição dos anfíbios do estado. Fundamenta-se no conhecimento insuficiente para gerar banco de dados confiável: há carência de dados faunísticos, problemas de identificação de táxons polimórficos, carência de dados sobre formas larvares e presença de complexos de espécies que incluem espécies não descritas e/ou formas desconhecidas. A imprecisão das informações acarreta vieses nos resultados que podem diminuir a qualidade das análises e limitar a aplicabilidade dos resultados. Inclui a resolução de problemas taxonômicos aplicáveis aos objetivos propostos, incluindo aquisição de espécimes adultos e girinos, vocalizações e tecidos animais para estudos moleculares em áreas do estado que necessitem de amostras adicionais.
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Subprojeto 3: O efeito das mudanças climáticas sobre os anfíbios

Anfíbios são suscetíveis ao aquecimento global porque suas funções fisiológicas básicas como crescimento, desenvolvimento e reprodução são fortemente influenciadas pela temperatura ambiente (HOCHACHKA & SOMERO 2002). Temperaturas abaixo ou acima da faixa de tolerância fisiológica do organismo resultam em redução ou perda das funções fisiológicas. Pretendemos identificar espécies e/ou comunidades que vivem próximos de seus limites térmicos e que consequentemente estão mais dispostas a sofrerem estresse fisiológico, além de testar se a tolerância térmica destas espécies apresenta efeito sinérgico com a presença de fertilizantes e agrotóxicos. Este subprojeto possibilitará o refinamento dos modelos de distribuição das espécies.
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