Coleções Zoológicas
TIPOS DE COLEÇÕES ZOOLÓGICAS
As coleções podem ser divididas em dois tipos principais: coleções didáticas e coleções de pesquisa. Em uma rede de pesquisa o tipo de coleção diretamente relacionado é a coleção de pesquisa. As coleções de pesquisa podem ser, por sua vez, subdivididas em cinco tipos principais de coleções:
i. Grandes coleções gerais: Reúnem material zoológico de diversos grupos zoológicos oriundos de diversos locais do planeta e representados por séries temporais e replicações geográficas diversas. Estão localizadas em grandes museus centenários e em algumas instituições públicas de ensino e pesquisa. A título de exemplo, podemos citar o American Museum of Natural History (Nova York, E.U.A.) e o Smithsonian Institution (Washington, E.U.A), de renome internacional, e o Museu Nacional (UFRJ/Rio de Janeiro), o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP/São Paulo) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém, Pará), os quais no Brasil representam as três instituições mais antigas e importantes no estudo da Zoologia nacional.
ii. Coleções regionais: Reúnem material zoológicos de fauna local ou regional. O somatório de diversas coleções regionais permite estudar apropriadamente a Taxonomia e a Biogeografia dos grupos zoológicos de interesse, já que tais coleções contumam possuir maior número de localidades amostrais por determinada região geográfica do que as grandes coleções gerais. Portanto, coleções regionais são extremamente importantes para diversas linhas de pesquisa, incluindo Conservação das espécies. Infelizmente, costumam ser consideradas como de menor importância pelas sociedades zoológicas e pelos órgãos de fomento, o que dificulta suas criações e manutenções a longo prazo. As coleções da RBPA podem ser inseridas nesta categoria, embora algumas delas possuam mais de 400 mil espécies zoológicos distribuídos por diferentes grupos taxonômicos.
iii. Coleções especiais: São aqui subdivididas em coleções de interesse econômico, de inventários faunísticos e de identificação. São coleções específicas montadas usualmente para servir como referência de identificação de espécimes para fins diversos. Embora algumas coleções da RBPA possuam algumas coleções especiais, não constituem o acervo principal de suas coleções.
iv. Coleções de tipos: São coleções extremamente importantes e agregam muito valor às coleções que as detém. Por consequência, a responsabilidade destas coleções é muito grande quanto à conservação destes espécimes. Tipos, de maneira genérica, são os espécimes utilizados na descrição dos táxons, como espécies e gêneros. O nome do táxon está amarrado invariavelmente e eternamente ao espécime-tipo. Portanto, tipos são singulares e raramente podem ser subtituídos. Algumas coleções da RBPA possuem coleções de tipos e merecem atenção especial.
v. Coleções particulares: São coleções constituídas por indivíduos e não estão depositadas em coleções públicas. Tais coleções outrora foram muito comuns, principalmente pela falta de institucionalização e profissionalismo na atuação do biólogo. Todavia, felizmente esta prática reduziu drasticamente nas últimas décadas e coleções particulares não mais são apoiadas ou valorizadas entre aqueles que fazem ciência.
As instituições partícipes da RBPA possuem em sua esssência coleções dos tipos ii, iii e iv, em diferentes estágios de desenvolvimento. As três coleções científicas referência na rede são as da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
Leia Mais
Leituras recomendadas: (1) Papavero N. (org.) (1994). Fundamentos práticos de Taxonomia Zoológica. 2a. edição. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista. 285 pp. (2) Lewinsohn T.M. & Prado P.I. (2002) Biodiversidade brasileira. São Paulo: Editora Contexto. 176 pp. (3) Kemp C. (2015) The endangered dead. Nature, 15: 292-294 (Link para baixar o artigo). (4) Young P.S. (2003) Avanços na integração dos acervos zoológicos depositados em instituições brasileiras. In: Peixoto A.L. (org.), Coleções Biológicas de apoio ao inventário, uso sustentável e conservação da biodiversidade. Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. pp. 215-229. (5) Joly C.A., Haddad C.F.B., Verdade L.M., Oliveira M.C., Bolzani V.S. & Berlinck R.G.S. (2011) Diagnóstico da pesquisa em biodiversidade no Brasil. Revista USP, São Paulo, (89): 114-133. Disponível em: <http://rusp.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-99892011000200009&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0103-9989>. Acessado em: 01/III/2015. (6) Marinoni L. & Peixoto A.L. (2010) As coleções biológicas como fonte dinâmica e permanente de conhecimento sobre a biodiversidade. Ciência e Cultura [online], 62(3): 54-57. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252010000300021&lng=en&nrm=iso>. ISSN 2317-6660. Acessado em 01/III/2015. (7) Peixoto A.L., Barbosa M.R.V., Menezes M. & Maia L.C. (2006) Diretrizes e estratégias para a modernização de coleções biológicas brasileiras e a consolidação de sistemas integrados de informação sobre biodiversidade. Brasília: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos: Ministério da Ciência e Tecnologia. 324 pp. Disponpivel em: <http://www.cgee.org.br/publicacoes/ppbio.php>. Acessado em 01/III/2015. [Este livro inclui a publicação No. 2, ver acima]. (8) Zaher H. & Young P.S. (2003) As coleções zoológicas brasileiras: panorama e desafios. Ciência e Cultura [online], 55(3):24-26 pp. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252003000300017&lng=en&nrm=iso>. ISSN 2317-6660. Acessado em 01/III/2015.
COLEÇÕES CIENTÍFICAS DE ANFÍBIOS NO NORDESTE DO BRASIL
Apresentamos nesta seção dados oriundos da Palestra 'Perspectivas e Desafios para as Coleções de Anfíbios' proferida pelo Professor Marcelo Felgueiras Napoli no Simpósio 'ANFÍBIOS DO NORDESTE DO BRASIL: HISTÓRIA, PERSPECTIVAS E DESAFIOS', coordenado pelos professores Flora Acuña Juncá (UEFS), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA) e Mirco Solé (UESC) e organizado no XXIX Congresso Brasileiro de Zoologia, realizado na cidade de Salvador, estado da Bahia, Brasil, no período de 5 a 9 de março de 2012. Embora estes dados não estejam atualizados, as informações são úteis no que tange ao conhecimento sobre o estado da arte das coleções de anfíbios no âmbito regional. Procuraremos atualizar estes dados sistematicamente, incluindo-se séries históricas da evolução destas coleções. Cabe ainda informar que somente estão representados dados enviados pelos curadores das respectivas coleções.
Número de espécimes de anfíbios, adultos (indivíduos) e larvas (lotes), em coleções científicas do Nordeste do Brasil (2012). UEFS, Universidade Estadual de Feira de Santana; UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz; UFAL, Universidade Federal de Alagoas; UFBA, Universidade Federal da Bahia; UFC, Universidade Federal do Ceará; UFMA, Universidade Federal do Maranhão; UFRN, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. À esquerda, número absoluto; à direita, porcentagem.


Número total de espécimes (sete coleções): 29.054 espécimes.
Número de coleções de anfíbios com séries-tipo e coleções informatizadas em coleções científicas do Nordeste do Brasil (2012). Para informações complementares, ver legenda da figura 1 desta página.


localização das coleções de anfíbios em instituições públicas de pesquisa do Nordeste do Brasil (2012). Múltiplos grupos e grupos únicos referem-se a espaços físicos que comportam de maneira otimizada, ou não, o acondicionamento de diferentes coleções científicas.


acondicionamento dos espécimes de anfíbios nas coleções científicas em instituições públicas de pesquisa do Nordeste do Brasil (2012). AD, Arquivos deslizantes; AM, armários de metal; EM, estantes de metal.
climatização e acondicionamento em frascos dos espécimes de anfíbios nas coleções científicas em instituições públicas de pesquisa do Nordeste do Brasil (2012). Para informações complementares, ver legenda da figura 1 desta página.


existência de funcionários e regimento interno para as coleções científicas de anfíbios nas instituições públicas de pesquisa do Nordeste do Brasil (2012). Para informações complementares, ver legenda da figura 1 desta página.







