Coleções de Referência da RBPA
As três coleções científicas de referência na Rede Baiana de Pesquisa sobre Anfíbios são as da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Estas três coleções, e os órgãos que os sediam, serão brevemente caracterizados nesta seção.
COLEÇÃO DE ANFÍBIOS DO MUSEU DE ZOOLOGIA DA UFBA
Curador: Dr. Marcelo Felgueiras Napoli — CV Lattes.
O
Museu de Zoologia da Universidade Federal da
Bahia (MZUFBA) foi criado junto ao
Instituto de Biologia da UFBA no ano de
2003, mas a origem de seu acervo remonta à
antiga
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
UFBA, criada em
1943,
com a incorporação da
coleção de
borboletas Dr. Pedro de Araújo. Neste
ínterim, foram reunidos mais de 400 mil
espécimes zoológicos, tendo forte incremento
durante o século XXI. Do ano de 2002 até o
presente mais de uma dezena de zoológos foram
efetivados na UFBA tendo entre suas atribuições
a de contribuir para as coleções do MZUFBA
enquanto curadores pesquisadores. A organização
do MZUFBA agregou os profissionais da área da
Zoologia da UFBA que, juntos, foram os atores na
criação do
Programa de Pós-Graduação em Diversidade Animal
da UFBA (mestrado e doutorado).
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A
coleção de anfíbios da UFBA foi iniciada em
1988 pela Profª. Drª.
Rejâne Maria Lira da Silva, ainda como
estudante de Ciências Biológicas da UFBA. Os
primeiros animais foram coletados quando da
participação da mesma no resgate de fauna da
Usina Hidroelétrica de Itaparica e contou com o
apoio do eminente pesquisador em Anfíbios do
Parque Zoobotânico de São Paulo, Dr. Werner C.
A. Bokermann (Fonte:
http://www.mzufba.ufba.br/WEB/Coleções_Amphibia.html). A coleção
contava, até o ano de 2002, com 104 espécimes de
anuros. A partir do ano de 2002, a coleção de
anfíbios passou a ter forte incremento, sendo que hoje (setembro de 2015) conta
com mais de 15.000 exemplares (indíduos adultos
e lotes de girinos). O pivô deste significativo
aumento de espécies e espécimes foi a criação do
Laboratório de Taxonomia e História Natural de
Anfíbios – AMPHIBIA, em 2002, pelo então
recém contratado Prof. Dr.
Marcelo Felgueiras Napoli. Fato importante é
que o AMPHIBIA faz parte do
Museu de
Zoologia da UFBA (MZUFBA)
e a coleção de anfíbios pertence à este órgão e
é, portanto, pública. Sua criação
promoveu o depósito de espécimes oriundos das
pesquisas nele desenvolvidas e incentivou o
depósito no MZUFBA de espécimes de outras
coleções e trabalhos desenvolvidos dentro e fora
da UFBA, contribuindo para o rápido crescimento
quantitativo e qualitativo da coleção. O
objetivo primário para a coleção de anfíbios do MZUFBA é torná-la
regionalmente representativa para
permitir o desenvolvimento de estudos em
Taxonomia e Biogeografia de anfíbios. A coleção de
anfíbios é composta principalmente por espécimes
oriundos do estado da Bahia. Contudo, inclui
amostras dos estados de Alagoas, Ceará, Espírito
Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de
Janeiro, Sergipe e Santa Catarina, entre outros.
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A coleção de anfíbios conta com séries-tipo de espécies de anuros brasileiros. São elas: Aparasphenodon arapapa Pimenta, Napoli & Haddad, 2009 (Holótipo); Bokermannohyla capra Napoli & Pimenta, 2009 (Holótipo); Bokermannohyla diamantina Napoli & Juncá, 2006 (Paratopótipos); Chiasmocleis sapiranga Cruz, Caramaschi & Napoli, 2007 (Holótipo, Paratopótipos); Phasmahyla timbo Cruz, Napoli & Fonseca, 2008 (Holótipo, Paratopótipos); Phyllomedusa nordestina Caramaschi, 2006 (Paratopótipos); Proceratophrys minuta Napoli, Cruz, Abreu & Del Grande, 2011 (Holótipo, Paratopótipos); Proceratophrys sanctaritae Cruz & Napoli, 2010 (Holótipo, Paratopótipos); Scinax montivagus Juncá, Napoli, Nunes, Mercês & Abreu, 2015 (Holótipo, Paratopótipos). Leia Mais
A coleção de anfíbios do MZUFBA é aberta a toda a comunidade científica e está capacitada ao envio de material para outras instituições de pesquisa após análise das solicitações (enviar e-mail para amphibia@ufba.br, a/c Prof. Marcelo Felgueiras Napoli). As coleções do MZUFBA estão inseridas sob as normas internas de utilização do mesmo e sob seu regimento interno, o qual está subordinado à autoridade máxima do Museu de História Natural da UFBA e do Instituto de Biologia da UFBA, nesta ordem hierárquica crescente. Portanto, é coleção de domínio público e de responsabilidade de autarquia federal. Ler normas, estrutura e regimento interno do Museu de História Natural da UFBA e Museu de Zoologia da UFBA.
A
informatização do acervo da coleção de
anfíbios teve início no ano de 2004, através do
projeto de infraestrutura em pesquisa denominado
"Museu de
Zoologia da Universidade Federal da Bahia:
Adequação das Coleções Zoológicas para
Construção e Implementação de Acervo Digital",
financiado pela
Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Bahia
(FAPESB), vigência: 2004-2007, e sob a
coordenação do Professor
Marcelo Felgueiras Napoli, então coordenador
do MZUFBA (2006-2010). A informatização vem
sendo realizada através do software MS ACCESS,
em pacote desenvolvido pelo Prof. Marcelo F.
Napoli, denominado
CadZoo -
Cadastramento Zoológico. O pacote foi
desenvolvido para atender a todas as coleções
científicas do MZUFBA.
ACERVOS ACESSÓRIOS: O Laboratório Amphibia possui uma Sonoteca que conta com um acervo de aproximadamente 300 gravações de trechos de diferentes cantos de anuros (mais de 50 espécies). Esta coleção está em franca expansão diante de diferentes projetos de pesquisa financiados por órgãos públicois de fomentos (p.ex., FAPESB, CNPq). A gravações (parte) possuem espécimes testemunhos (vouchers) preservados em meio líquido (álcool 70%) em meio à coleção principal. A coleção de girinos existe, mas ainda é incipiente. A coleção de tecidos animais vem crescendo paulatinamente e está organizada e tombada. Fisicamente, está acondicionada em microtubos contendo álcool absoluto, os microtubos organizados em racks e estes mantidos permanentemente em freezer localizado no Laboratório Amphibia. Esta coleção de tecidos animais tem atendido a diferentes pesquiasdores de todo o Brasil e gratuitamente.
COLEÇÃO DE ANFÍBIOS DO MUSEU DE ZOOLOGIA DA UEFS
Curador: Dra. Flora Acuña Juncá — CV Lattes.
O
Museu de Zoologia da UEFS (MZFS)
surgiu para integrar das coleções zoológicas
formadas ao longo dos anos em diferentes
laboratórios de pesquisa. Oficialmente criado em
2005, conta com coleções de todos os grupos de
vertebrados (mais de 60.000 exemplares) e
artrópodes (mais de 220.000) e em 2012 foi
entregue aos curadores das coleções o prédio do
MZFS, construído através do edital FINEP/2007. O
Museu de
Zoologia da Universidade de Feira de Santana
(MZFS)
está organizado em
sete divisões
científicas, das quais a
Divisão
Anfíbios mantém a curadoria das coleções de
anfíbios adultos, girinos e um acervo
bioacústico das vocalizações das espécies.
As coleções totalizam aproximadamente 6.000
registros, representantes de diferentes biomas
do estado da Bahia, principalmente o bioma
Caatinga e demais áreas do semiárido. Até o ano
de 2013, o MZFS apresentava acervo de 4.857
espécimes de anfíbios adultos, representantes de
145 espécies, 52 gêneros, distribuídos nas
famílias Aromobatidae, Brachycephalidae,
Bufonidae, Crausgastoridae, Ceratrophiidae,
Crausgastoridae, Cycloramphidae, Hemiphractidae,
Hylidae, Leiuperidae, Leptodactylidae,
Microhylidae e Pipidae da ordem Anura e 03
espécimes de Siphonops sp. da família
Ceciliidae, ordem Gymnophiona. Esta coleção
compreende os holótipos das espécies
Gastrotheca flamma Juncá & Nunes 2008,
Bokermannohyla juiju Faivovich, Lugli,
Lourenço & Haddad 2009 e Bokermannohyla
diamantina Napoli & Juncá 2006 e parátipos
das espécies Hypsiboas pombali
(Caramaschi, Pimenta & Feio, 2004),
Bokermannohyla diamantina,
Bokermannohyla itapoti Lugli & Haddad,
2006, Scinax juncae Nunes & Pombal 2010
e Scinax cretatus Nunes & Pombal 2011.
A Divisão Anfíbios contava até o ano de 2013 com 1.124 lotes de girinos, representantes de 89 espécies e 39 gêneros, distribuídos nas famílias Aromobatidae, Bufonidae, Centrolenidae, Ceratrophiidae, Cycloramphidae, Hylidae, Leiuperidae, Leptodactylidae, Microhylidae e Pipidae. Este acervo de girinos é muito utilizado por alunos de pós-graduação e fonte para várias publicações (e.g. Juncá & Lugli, 2009, Mercês & Juncá, 2012). Estes espécimes provém principalmente de inventários e trabalhos ecológicos executados pela equipe da referida Divisão, a partir de projetos financiados pela instituição de origem ou de órgãos de fomento à pesquisa.
Na Divisão Anfíbios do MZFS há a Sonoteca da UEFS que conta com um acervo de aproximadamente 600 gravações de trechos dos diferentes cantos de anuros (cerca de 100 espécies). Esta coleção está em franca expansão diante dos projetos de rede estabelecidos (PPBio Semiárido, PELD Chapada Diamantina e SISBIOTA Girinos). O acervo da Sonoteca da UEFS é intensamente trabalhado pela equipe e conta também com publicações recentes (e.g. Juncá et al. 2012, Santos-Silva et al. 2012). Todas as coleções possuem os espécimes preservados em meio líquido, principalmente álcool 70%. Estas coleções são procuradas constantemente por pesquisadores taxonomistas, que, a partir de agendamento prévio, são recebidos pela bióloga de apoio, ou solicitam o material pelo correio.
A informatização do acervo destas coleções teve início em 2004, na ocasião da estruturação do PPBio Semiárido, que, desde então, vem incentivando não somente a informatização, através de bolsistas e equipamento, como também reservado recursos para aquisição de substâncias de preservação e frascaria para manutenção de coleções científicas, cujos acervos incluam representatividade da diversidade biológica da região semiárido do Brasil. Atualmente, cerca de 90% da coleção está informatizada. O banco de dados das coleções da Divisão Anfíbios do MZFS utiliza o programa Excel, pois é acessível e possível compartilhar com diferentes programas computacionais.
A coleção é aberta a toda a comunidade científica, porém ainda não possui um sistema de envio de material eficiente. Esta dificuldade será vencida com aprovação do regimento interno nas instâncias superiores da UEFS, quando as atividades do Museu, que incluem permutas de material, serão reconhecidas. O regimento já está tramitando.
COLEÇÃO DE ANFÍBIOS DO MUSEU DE ZOOLOGIA DA UESC
Curador: Dr. Victor Dill Orrico — CV Lattes.
A Coleção Herpetológica do Museu de Zoologia da UESC (MZUESC) surgiu da contratação pela UESC do Prof. Dr. Antônio Jorge Suzart Argôlo em 1999 e seu interesse na herpetofauna da Bahia, com uma grande ênfase em serpentes. Em 2012, houve a doação e transferência da Coleção Zoológica Gregório Bondar, situada na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC - http://www.ceplac.gov.br/) para a UESC. Curiosamente, esta coleção também se iniciou em decorrência principalmente dos esforços de coleta do Prof. Dr. Argôlo, no ano de 1986 quando este era funcionário da CEPLAC. O foco de ambas coleções sempre foi conhecer e compreender a herpetofauna da Bahia, principalmente áreas de plantio de cacau, sempre dando ênfase à coleta de serpentes.
Hoje, a coleção herpetológica do MZUESC conta com aproximadamente 25.000 números de registros sendo aproximadamente 21.000 de serpentes, 2.000 de outros répteis (em sua imensa maioria lagartos e anfisbênios) e 2.000 registros de anfíbios. Notadamente, a coleção do MZUESC possui um perfil regional sendo seus registros, em sua imensa maioria, coletados em diversas áreas no estado da Bahia. O material por ingressar ainda é expressivo e em sua maioria corresponde a anuros.
De interesse específcio da RBPA, a coleção de anfíbios do MZUESC possui grande número de registros de cecílias, correspondendo estas a aproximadamente um quinto do total de registros. Todavia, a maioria da coleção é composta por anfíbios anuros adultos e estes são identificados em aproximadamente 100 espécies. Com a contratação do Prof. Dr. Victor G. D. Orrico em 2014 pela UESC, houve aumento crescente no número de registros de formas larvais de anfíbios. Há planos de se criar coleção de amostras de tecidos animais para fins de análises moleculares. A coleção de anfíbios do MZUESC conta com parátipos de várias espécies de anfíbios, como Hypsiboas pombali e Allophryne relicta.






